27 dezembro 2005

"Não a nós Senhor, não a nós..."

Um dos "grandes" pecados da humanidade sempre foi o que eu chamaria de “autoglorificação”. Roubar a glória que pertence somente a Deus e a transferir para si mesmo. É uma “autodeificação”.

O homem gloria-se de seus títulos, de suas habilidades, de sua riqueza e ciência.

Com isso se esquece de Deus. Não conhece a Graça. Não se rende à Majestade de Deus. Não reconhece a sua própria miséria e inabilidade.

Mas parece que o apóstolo Paulo nos ensina outra coisa: a nos gloriarmos naquilo do que o mundo se envergonha. Naquilo que a todo custo se esconde ter. Ao invés de gloriar-me “dos meus grandes feitos”, gloriarei-me nas minhas fraquezas.

“Se é preciso gloriar-se, de minha fraqueza é que me gloriarei.”2Co11. 30

Para que assim conheçamos o poder de Cristo

“De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo.”2Co12. 9b

E gloriemos-nos no que é devido

“Gloriar-se-á no Senhor a minha alma...”Sl34. 2

“Aquele, porém, que se gloria, glorie-se no Senhor.”2Co10. 17

“Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riqueza; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o SENHOR...”Jr9. 22

E assim e somente assim poderemos dizer

“Porque quando sou fraco, então, é que sou forte.”2Co12. 10b


26 dezembro 2005

A INGENUIDADE DOS CRISTÃOS SEGUNDO OS PAGÃOS

O escritor grego Luciano de Samósata (Síria) foi um dos maiores críticos da sociedade de sua época, criticando, entre outros, seus valores filosóficos e religiosos.

Na obra "A Morte do Peregrino", escrita por volta do ano 180, apresenta os cristãos como pessoas crédulas e ingênuas na passagem onde narra sobre um trapaceiro fanfarrão que explora a boa fé destes.


"Antes de tudo, esses infelizes estão convencidos de que são imortais e de que viverão para sempre. Por isso, desprezam a morte e muitos a enfrentam voluntariamente. Seu primeiro legislador os convenceu de que eram todos irmãos. A partir do momento em que renunciaram os deuses da Grécia, passaram a adorar seu sofista crucificado e amoldaram suas vidas aos seus preceitos. Eles também desprezam todos os bens, mantendo-os para uso comum [...]. Se entre eles aparecer um hábil impostor, que saiba se beneficiar da situação, este se enriquecerá rapidamente pois poderá manipular como quiser essas pessoas que nada percebem."



Ingênuos?Acho que isso foi mais um elogio do que uma critica. Quem me dera os cristãos fossem hoje em dia conhecidos na sociedade como eram no segundo século.Quão bom seria?!

15 dezembro 2005

Liberdade ????

Foto By Liz

Liberdade se define hoje em dia como a “possibilidade de fazer escolhas”. Sou livre porque posso escolher. È uma liberdade humanista, que se confunde com autonomia. A verdadeira liberdade é a liberdade em Cristo. È a possibilidade de não pecar. É o fazer o bem que se quer fazer e resistir ao mal que não se quer(Rm 7.19).

14 dezembro 2005

Hoje é dia de "bomba"

Eu sou o homem que viu a aflição pela vara do furor de Deus.
Ele me levou e me fez andar em trevas e não na luz.
Deveras ele volveu contra mim a mão, de contínuo, todo o dia.
Fez envelhecer a minha carne e a minha pele, despedaçou os meus ossos.
Edificou contra mim e me cercou de veneno e de dor.
Lm 3.1-5

Chamados para quê?

A passagem de Jo 20.19 me trouxe algumas reflexões:

Ali estavam os discípulos,amedrontados, aterrorizados com o final "trágico" de seu mestre. Não haviam entendido as inúmeras referências de Jesus à sua morte e ressurreição. Escondidos e acanhados dentro de um cômodo, não ousariam jamais sair para cumprir a sua missão, anunciar as Boas Novas de seu Mestre, aquele que a pouco havia sido crucificado.

A igreja hoje me remete a essa cena com os discípulos. Escondida e acanhada. Não em um cômodo mas em seus templos. Não com medo dos judeus, mas sem conhecer a sua identidade, a razão de sua existência.

A nossa identidade confunde-se com a nossa missão.

O novo Testamento emprega duas palavras para designar Igreja. Sunagoge que significa “reunir-se”, usada em Mt 4.23; At 13.43; Ap2.9,3.9, e Ekklesia(assembléia). Esta formada pelas palavras Ek, “para fora de”, e Kaleo, “chamados”. Ou seja, Ekklesia(A Igreja) tem significado não somente de uma assembléia, de uma grupo de pessoas reunidas , mas significa também “chamados para fora de”. O seu significado remete à sua missão. A igreja não é somente, ou pelo menos não deveria ser, apenas um grupo de pessoas que se reúne para adorar ao seu Deus. Somos chamados a sair dos nossos "guetos", dos nossos templos. Somos chamados a não nos acovadarmos em cumprir nossa missão, em ser o que deveriamos ser. Não somos igreja se não temos identidade, não somos igreja se não cumprimos nossa missão, não somos igreja se não “saírmos para fora de”. Não somos Igreja se agirmos como os discípulo em Jo 20.19.

Que Deus tenha misericordia de nós!Amém

Tarde Vos amei


Relato de uma conversão


Tarde Vos amei ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!
Eis que habitáveis dentro de mim e eu lá fora a procurar-Vos!
Disforme , lameava-me sobre estas formosuras que criastes.
Estáveis comigo e eu não estava convosco!
Retinha-me longe de Vós aquilo que não existiria se não existisse em Vós.
Porém
chamastes-me com uma voz tão forte que rompestes a minha surdez!
Brilhastes e Cintilastes e logo afugentastes a minha cegueira!
Exalastes perfume: respirei-o, suspirando por Vós.
Saboreei-Vos, e agora tenho fome e sede de Vós.
Tocastes-me e ardi no desejo da vossa paz.


Esse é um trecho da fantástica obra de Agostinho de Hipona, as suas Confissões.

O "estar apaixonado" e o casamento

A idéia de que “estar apaixonado” é a única razão para se permanecer casado é uma idéia estranha ao cristianismo. As promessas feitas por quem está apaixonado devem ser cumpridas, mesmo que deixe de sentir-se apaixonado. Promete-se ser fiel, amar na alegria e na tristeza, na doença e na saúde mas não promete-se “estar apaixonado” a vida inteira.

Citando C.S.Lewis

Uma promessa tem cabimento quando é sobre coisas que se pode fazer, sobre atitudes: ninguém pode prometer que vai continuar a ter sempre um certo sentimento...Ora, não se pode garantir que um sentimento perdure com sua plena intensidade, nem mesmo se pode dizer que perdurará. O conhecimento permanece, os princípios permanecem, os hábitos permanecem, mas os sentimentos vêm e vão...”

E prossegue mais a frente

“Não mais “estar apaixonado” não significa necessariamente não mais amar. Amar é diferente de “estar apaixonado”; o amor não é um sentimento, é uma unidade profunda, mantida pela vontade e deliberadamente fortalecida pelo habito, reforçada(nos casamentos cristãos)pela graça que os cônjuges pedem recebem de Deus.”

E mais ainda

“Estar apaixonado é muito bom mas não é o melhor...Nesse setor da vida, como em qualquer outro, as emoções vêm no começo e não perduram...O encantamento que sentimos quando vemos um lugar maravilhoso pela primeira vez desaparece quando começamos morar lá."


O “estar apaixonado” faz o coração bater mais rápido, a pressão arterial subir, as pupilas dilatar, a temperatura variar bruscamente, o estômago apertar e as mãos tremer.


“Por uma questão de preservação da espécie, portanto, o ser humano não foi programado para viver permanentemente apaixonado”
diz reportagem da revista Veja


“Se a paixão durasse muito tempo, o organismo entraria em colapso”
diz o neurocientista da Unicamp, Renato Sabbatini


Ou seja, fomos feitos para amar e não para permanecer "apaixonados" a vida inteira.

O Evangelho da "porta larga"

Disse Jesus: “Entrai pela porta estreita (larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz para a perdição, e são muitos os que entram por ela),

porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela.”(Mt 7.13,14)


O evangelho da “porta larga” é a mensagem de Jesus, porém com algumas distorções. É o evangelho inclusivo, onde cabe a maioria, e deixa uma minoria de fora. É o evangelho que busca atrair as massas. Que sofre uma torção para se tornar mais aceitável e atrativo. É o evangelho em que passagens como Mt 8 .20-22; Lc 9.23,24; Lc 14.25-33 foram esquecidas. Onde se exalta as "bençãos" e pouco se comenta sobre a porta que é “estreita” e o caminho que é “apertado”.

Sobre isso A.W.Tozer diz: “É preciso que não nos imaginemos comissionados para tornar Cristo aceitável ao grande comércio, à imprensa, ao mundo dos esportes ou à educação moderna. Não somos diplomatas, mas profetas, e a nossa mensagem não é um acordo, mas um ultimato. Deus oferece vida, não porém uma velha vida melhorada.”


Sobre a religião cristã

Em nossa sociedade, a religião, em especial o cristianismo, é tida como uma “muleta para os fracos”. Dizem que os homens, vencidos pelas duras realidades da vida, se voltam para o conforto e satisfação proporcionados pela religião.

John Stott disso diz: “Não quero negar em momento algum que a pessoa de Jesus Cristo representa uma enorme ajuda para seus seguidores. Mas ele traz consigo um desafio radical também. Tornei me cristão não porque a fé cristã é atrativa, mas porque é verdadeira.”

C.S.Lewis completa: “Na religião, como na guerra e em tudo na vida, satisfação é coisa que não se encontra procurando por ela. Se procurarmos a verdade, poderemos encontrar a satisfação no fim; se procurarmos primeiro a satisfação, não encontraremos nem a satisfação nem a verdade, apenas a dulação e a falsa esperança e, no fim, o desespero.”

As afirmações de Jesus

"...O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens, e o matarão; mas, três dias depois da sua morte, ressuscitará."

Mc 9.31

As afirmações de Jesus se relacionam não somente a quem Ele era, mas também àquilo que Ele veio fazer no mundo; não somente à sua pessoa, mas também à sua missão; não somente à sua vida, mas tambem à sua morte.

John Stott

Prolegômenos

Nas minhas postagens tentarei usar poucas palavras, para que sejam de leitura rápida e agradável.Procurarei ser simples, porém não superficial; reflexivo, porém objetivo. Serei o orador e vocês a assembléia.

Que Deus nos abençoe