27 janeiro 2006

Tu és pó e ao pó tornarás



“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”1 Co 15.55


Uma grande certeza que se pode ter na vida é que essa vida aqui na Terra não vai durar muito tempo. Tão logo crescemos percebemos isso. È o que iguala todos os homens, independente da época, cultura, língua e condição social. No tempo e no espaço, e diante da morte somos todos iguais.

Uma coisa que todos já se perguntaram: “Morrer dói?” Bem, se morrer dói é algo que ainda não sei responder, algum dia saberei. De uma coisa estou certo, viver dói e dói muito.

A possível separação de pessoas queridas nos assusta. O profundo apego à vida aqui nos faz tremer diante da transição. Para alguns a morte é libertação. Para outros é o fim. E o fim muitas vezes pode ser a libertação.

Segundo C.S.Lewis:

“ O universo do materialista tinha o enorme atrativo de que acabava com a morte...E se algum dia as calamidades da vida finita se mostrassem maiores do que estivéssemos dispostos a suportar, o suicídio sempre seria uma alternativa. O terrível do universo cristão era que não havia nenhuma porta com a placa de Saída.”

Para uma pessoa jovem a morte parece algo distante. Somos lembrados da sua existência quando alguém próximo morre. Nossa alma anseia a eternidade, não fomos criados inicialmente para morrer. A morte não fazia parte do “plano da criação”. Mas por outro lado:

“Se acreditarmos de fato no que dizemos acreditar – se cremos que nossa casa de fato não é aqui, mas em outro lugar e que esta vida é uma ‘caminhada rumo ao lar’, qual o problema em ter a expectativa da chegada”C.S.Lewis

E como diria Paulo: “O viver é Cristo e o morrer é lucro”

Bem, o próprio Deus se encarnou e também passou pela morte. Isso não podemos negar. Ele sabe bem o que é isso. E Ele sabe o que é morrer de uma forma bem desagradável. Mas tenho uma Boa Noticia: a morte, nossa grande inimiga, foi vencida. Aos pés da cruz e ao terceiro dia ela já não tem mais poder.



“Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.” Jesus Cristo

21 janeiro 2006

Coisas de quem não tem nada pra fazer a não ser pensar e ficar a tarde toda na internet


Tempestade de pensamentos

(Desnudando a mente)

Certa tarde, visitando alguns blogs, de certos intelectuais brasileiros, me vi em meio a uma tempestade de pensamentos.Meu cérebro estava sendo bombardeado por idéias e pensamentos que nem eu mesmo sabia de onde vinham. Não conseguia assimilá-los direito. Então tive a idéia de escrevê-los. Pensei, “Por que não? Não vai doer, eu não tô fazendo nada mesmo”.Confesso que me fez bem. È um desnudamento da mente. Um desabafo do intelecto. Muito provavelmente, em parte, vocês não vão entendê-los, já que não sabem exatamente o que eu li nessa tarde. Vamos lá , aqui estão alguns deles:

O “mundo” da “intelectualidade” me fascina...* Ou melhor, o “mundo” dos pensamentos, das idéias...Filosofia me fascina...Tenho a impressão de ser um mundo a parte ...Nessa tarde isso me gerou uma certa critica a essa minha fascinação e a esse “mundo dos intelectuais”, a esse “mundo dos teóricos e penasadores”...
Tive a impressão de um mundo a parte...dos relacionamentos com as pessoas e do que realmente importa na vida...Senti um pouco de arrogância no conteúdo que li nessa tarde...Parece vaidade de quem não tem o que fazer...De babacas, arrogantes que se julgam superiores e que olham as coisas por cima...De quem perdeu o foco da vida...Isso porque tenho descoberto aquilo que é realmente precioso na vida, a saber, as pessoas...E não simplesmente idéias e jogo de palavras, sem que isso realmente melhore a vida de alguém...Mas ao mesmo tempo, penso que essa minha critica é um pouco infantil, de quem ainda não assimilou o que acabou de ler...

Acho que esse seria um julgamento muito duro... Esses "caras" que eu li na internet são filósofos, teólogos, colunistas de jornais, escritores...Essa é a profissão deles, não são arrogantes por isso...Não são arrogantes porque dão ênfase a questões demasiadamente teóricas e aparentemente inúteis... embora muitos deles passem realmente essa impressão...

Quero pensar em algo que ninguém pensou e agora escrever algo que ninguém escreveu...Isso é vaidade...É orgulho...Querer ser destaque, e não só mais um na multidão...Mas ao mesmo tempo me sinto um verme diante de tantas idéias e vocabulário tão difícil.... Admiro tamanha criatividade e profundidade de análises...A falta de clareza lingüística é realmente um obstáculo...Talvez sirva para mascarar idéias vazias...Ou talvez eu não tenha entendido direito...Vou dar um tempo para ver se as assimilo melhor....

Descobri que também penso...Se as idéias são novas eu não sei...Mas o que faltava era escrevê-las...Aqui estou eu escrevendo essas “ditas cujas”... Na esperança de ser entendido...Nem que seja pelo menos um pouco...Esse negócio de escrever com reticências é muito legal...Estão vendo?... Pensei de novo...Ainda bem que escrevi isso.

...Acho que agora acabou...Até a próxima tempestade de pensamentos...

*(...)Reticências: servem para separar um breve pensamento do outro...É como se os pensamentos fossem surgindo como uma corrente, um elo ligando ao outro...Como uma fila de cartas emparelhadas que se desmonta.

19 janeiro 2006

Aos incrédulos


“Ah! Todos vós, os que tendes sede, vinde às águas; e vós, os que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite.” Is 55.1


Definição do termo

Defino incredulidade aqui como a não aceitação das verdades bíblicas. É a não aceitação ao chamado de Deus à conversão. È a negação da existência de Deus , sua encarnação, morte e ressurreição.

A incredulidade sempre esteve presente na história do cristianismo e da humanidade. Na sociedade pós-moderna ela se manifesta nas suas formas teístas(panteísmo, henoteísmo, deísmo e outros “ismos”) e ateístas(materialistas, agnósticos, céticos e etc).

Explicação bíblica acerca da incredulidade

A incredulidade é pecado(Sl 10.4b). Mesmo tendo o conhecimento de Deus nas coisas que foram criadas os homens não o glorificaram como Deus(Rm 1.21a). Se perderam em seus vãos arrazoados e o seu coração insensato ficou nas trevas(Rm 1.21b).

Às vezes a incredulidade pode ser a manifestação da ira de Deus que os entrega à má inclinação de seu próprio coração(Rm 1.24,26,28). Dessa forma se cumpre as palavras do profeta Isaías(Is 6.9,10)

A estes não foi dado a conhecer o reino de Deus(Mt 13.11). Não nasceram de novo(Jo 3.3). Não receberam o sopro regenerador do Espírito Santo(Tt 3.5). Ainda não foram alcançados pela maravilhosa graça de Deus(Rm 3.24)

Convite aos incrédulos

Há quem se denomine incrédulo simplesmente porque considera a fé cristã como irracional. Considera a fé como um salto cego no escuro("A fé é cega"). Disso eu discordo seriamente. Embora a fé cristã não seja um sistema de equações lineares e totalmente explicado pela razão, ela é bastante razoável. O que quero dizer?Que existem razões suficientes pra se render ao amoroso Cordeiro de Deus. A fé é acreditar e se curvar diante de Deus. Com razões boas e adequadas para isso. Não é uma fé cega.

A esses é feito o convite: “arrependam-se e creiam”. A esses é dado o ultimato: “busquem o senhor enquanto se pode achá-lo”.

Dobrem seus joelhos diante do Cordeiro, a saber, Jesus Cristo. O Rei dos reis, Senhor dos senhores. O Alfa e o Ômega. O Principio e o Fim. Aquele que era, que é e que há de vir. A Ele seja a honra, a glória e o poder, pelos séculos dos séculos .

“Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida”Ap 22.17b

18 janeiro 2006

Castelo de ilusões

"Se construo um castelo de cartas de ilusão, é bom que seja
destruído para aparecer algo que seja sólido e permanente - a verdade tem essa marca reveladora, que estilhaça nossas ilusões e fantasias"

C.S.Lewis

A vida com Deus tem dessas coisas. Nossas ilusões precisam ser desfeitas para que algo sólido seja produzido. Às vezes a dor é realmente necessária.

O grão de trigo precisa morrer para produzir frutos(Jo 12.24)

17 janeiro 2006

"Antes que se curvem as minhas costas..."

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer;...”Ec 12.1


Todo “escritor” tem um “pano de fundo” nos seu escritos. Está inserido num contexto social, político, religioso, familiar e etc. E no contexto de suas mais recente experiências e descobertas. Bem, o meu “pano de fundo” tem sido, humanamente falando, um contexto de sofrimento. Não de um sofrimento extremo, insuportável. Mas de um sofrimento inesperado, que envolve todas áreas da minha vida e todos os meus relacionamentos, seja com Deus, família e amigos. Parece um pouco teórico isso, mas é a crua realidade.

Não tenho sofrido as dores da doença, mas os efeitos da quimioterapia são implacáveis. A minha quimioterapia é de “altas doses”. E como diria o meu médico: “não é pra qualquer um não”. Mas em um contexto de sofrimento nem tudo é sofrimento. As alegrias são inúmeras. Teria que estar com a mente obscurecida para não admitir isso. Bem, não era exatamente sobre isso que eu queria falar.

Quem estiver lendo isso medite profundamente nisso.

Hoje eu vi uma velhinha no hospital. Estava deitada na cama.
Pálida, careca e com uma expressão de desesperança. Isso tem me causado incômodo e certa vontade de chorar. Penso: “eu sei o que você esta sentindo”. Novamente penso: “sei, mas não sei.” Porque eu sou jovem, tenho uma vida inteira pela frente, tenho o entusiasmo de um jovem e minha resistência física é bem maior. Aprendi que aquela pessoa ali, pálida, com aquela expressão, nem sempre foi assim. Aquele rosto já teve outras expressões. Um dia já riu. Um dia já se alegrou. Um doente, pelo menos os pacientes de câncer, um dia já foi “normal”, isto é, nem tudo na vida era os tratamentos pesados. Parece óbvio pensar assim, mas não é tão óbvio assim. Eu tive que sentir na pele pra aprender isso. Aprendi a me incomodar com sofrimento alheio. E esse incômodo não deve ser um sentimento de pena, mas de compaixão. Algo que gere uma ação frente ao que se vê. Uma preocupação genuína com a pessoa. Mesmo que não tenha nada a falar, existem inúmeras formas de ajudar. Se preocupar de forma sincera e prática já é um começo.

Se você não se preocupa com o sofrimento alheio, seja nas suas inúmeras formas, é bom começar a se preocupar. Porque as pessoas existem e as pessoas estão “sofrendo dores” por todos os lados. Não é preciso ir muito longe pra achar. E os “maus dias” um dia chegarão para nós. Cedo ou tarde. A velhice chega, as doenças chegam e a violência nos rodeia incessantemente. Não quero passar um idéia de pessimismo e desespero. Mas quero dizer que devemos nos preocupar com próximo de forma mais prática e menos teórica. Que devemos olhar menos para o nosso umbigo. Quero dizer que as pessoa tem necessidades e devemos ajudá-las nisso, pois pode ser que um dia precisemos também. Não com uma motivação egoísta mas com uma preocupação desprendia de interesses. O mundo carece disso.

Bem, esse é o meu “pano de fundo”. E que Deus nos abençoe nisso.

15 janeiro 2006

O que é um "intelectual"?

Há quem se considere um “intelectual”. Ser "intelectual" gera um certo status hoje em dia. É quase sempre sinônimo de “inteligente”, ou, “QI-acima-da-média”. Na maioria das vezes os “intelectuais” para serem considerados intelectuais usam alguns artífices da linguagem. Em seus escritos usam uma linguagem obscura e opaca, para disfarçar idéias e palavras vázias de conteúdo. Possuem de forma muito avançada, esse talento comum aos advogados, entusiastas de computadores e filósofos alemães, que consiste em tornar o basicamente simples fantasticamente complexo.


“Nunca entendi muito bem o que é um intelectual. É alguém que pensa? Todo mundo pensa, mesmo que precise fazer um esforço. É alguém que tem idéias novas, que vive do que pensa? A perfeita descrição de um vigarista profissional também. Alguém que lê muito? Ler muito, dependendo do tipo de livro, pode substituir o pensamento. Certos livros fazem com a mente o que o respirador artificial faz para o pulmão, enchem de ar para ele pensar que está funcionando. Um erudito não é necessariamente um intelectual. Cultura não é inteligência e inteligência não é cultura e agilidade mental poder ser um dom performático, como mexer as orelhas. Se você se declarar um intelectual e alguém disser “prove”, o que é que você vai fazer?”

Luís Fernando Veríssimo

02 janeiro 2006

“Ainda que as flores murchem...”

“Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações, para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo...” 1Pe 1.6,7



Uma das coisas que sempre me intrigou a respeito do cristianismo é a questão do sofrimento. “Por que um Deus Todo-poderoso e Amoroso permite que as suas criaturas sofram?”, eu me pergunto. Conclui que, durante a minha peregrinação nunca saberei a resposta. Talvez essa não seja a pergunta correta. Qual seria então a pergunta correta?

C.S. Lewis sobre isso diz: “Bem faça sua escolha. As torturas acontecem. Se elas são desnecessárias então não há Deus, ou Ele é mau. Se há um Deus bom, então essas torturas são necessárias. Pois nem mesmo um Ser moderadamente bom poderia infligi-las ou permiti-las, se elas não fossem necessárias.”

Em seus escritos sobre o seu sofrimento( a perda da esposa) ele diz: “Será que essas anotações não passam do padecimento de um homem que não quer aceitar o fato de que não há nada que possamos fazer contra o sofrimento, exceto sofrê-lo? Quem ainda acha que existe algum truque que faça o sofrimento ser sofrível? Não faz diferença alguma agarrar à cadeira do dentista ou deixar as mãos repousar calmamente sobre o casaco. A broca continuará perfurando.”


Perder a esposa foi como perder uma parte de si mesmo: “No momento estou aprendendo a andar de muletas. Quem sabe nesse mesmo instante eu ganhe uma perna de pau. Mas jamais serei um bípede de novo.”

Muitas das vezes focamos o processo em nós e não em Deus.

C.S. Lewis diz: “[Deus]não havia tentado fazer uma experiência com a minha fé ou o meu amor a fim de descobrir a sua qualidade. Ele já a conhecia. Era eu que não a conhecia.”

Talvez a pergunta sobre o sofrimento não seja “por quê”e sim “para quê”. Talvez. Não sei ao certo.



O que eu amo quando eu amo o meu Deus?

“Mas o que amo, amando-te?
Não uma beleza corpórea, não um encanto transitório,
não um fulgor como o da luz, que agrada a estes olhos,
não doces melodias de cantos de todo tipo,
não o suave perfume das flores, de ungüentos e de aromas,
não o maná e o mel, não membros desfrutando no amplexo carnal.
Não são essas coisas que amo, amando meu Deus.
E, no entanto por assim dizer, amo uma luz, uma voz, um perfume,
um alimento e um amplexo quando amo meu Deus: luz, voz, perfume,
alimento e amplexo do homem interior que está em mim,
onde resplandece em minha alma uma luz que não se dissipa no lugar,
onde ressoa uma voz que o tempo não rouba,
onde exala um perfume que o vento não dispersa,
onde provo um sabor que a voracidade não reduz,
onde me aperta um amplexo que a saciedade jamais dissolve.
È isso que eu amo quando amo meu Deus.”

(Agostinho)