28 fevereiro 2006

Um pouco de Teologia



“Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.”Jo 3.3

“...ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo...” Tt 3.5

Regeneração – O novo nascimento

É o ato pelo qual Deus muda a disposição do coração humano, que estava morto em seus delitos e pecados. Dá nascimento a uma nova vida(“nascer de novo”), ressuscitando o pecador da morte espiritual para a vida espiritual, da incredulidade para a fé. Essa ação do Espírito Santo torna o homem apto ao exercício da fé em Cristo. É uma obra unicamente do Espírito Santo, não necessitando da cooperação humana. Homens mortos não cooperam com a graça.

“Anteriormente, o pecador não desejava e não estava inclinado a
escolher a Cristo, mas agora ele não apenas deseja mas está ansioso por escolher Cristo. O pecador não é arrastado a Cristo contra a sua vontade ou forçado a escolher algo que não quer escolher.” R.C.Sproul


A regeneração precede a fé

Parece estranho, mas é verdade. A fé vem depois da regeneração. A fé é uma resposta humana a obra do Espírito Santo no seu interior.

É impossível para o ser humano crer na obra de Cristo sem antes ter o seu coração mudado(regenerado), porque este está morto em seus delitos e pecados(Ef 2.5). O homem não é capaz assim de crer em Cristo sem antes nascer de novo(Jo 3.3). A fé é um ato humano(Deus não crê por nós), mas também é um dom de Deus(Ef 2.8), com o qual deslumbramos a maravilhosa graça de Deus e irresistivelmente cremos. Não deve-se confundir regeneração com santificação(esse é um assunto para um próximo post).

Ensinaram esta doutrina Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield e até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino, entre outros.

A regeneração e a salvação

A regeneração faz parte da obra de salvação. É uma das partes cabidas ao Espírito Santo. Além de propiciar a salvação dos pecadores na obra expiatória de Cristo, o próprio Deus muda o coração do homem e o capacita a crer irresistivelmente em Cristo e na sua obra redentora. Essa é a chamada Doutrina da Graça, segundo a qual os méritos da salvação do homem pertencem somente a Deus. É um dos lemas da Reforma – Sola Gratia!

Em post posterior eu continuo sobre a obra de salvação, pelo menos eu espero.

Que Deus no abençoe!!

Ufa! Consegui atualizar o blog...

17 fevereiro 2006

O escândalo do Cristianismo

“....Mas nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios...”1Co1.23


A fé cristã é realmente escandalosa. É loucura para os que se perdem, mas para os que crêem é poder de Deus para salvação. Causa escândalo:

- porque a morte de seu Mestre é tida com grande orgulho pelos seus seguidores e trouxe a salvação.

- porque um Inocente morreu por aqueles que eram culpados

-porque esse Inocente era o próprio Deus

-e esse Deus experimentou o cálice de sua própria ira

- e entregou sua vida por vontade própria

- porque seus seguidores consideram como Graça o sofrer pelo seu Mestre.

-porque Graça é algo imperscrutável pelo entendimento humano, o considerar receber algo sem ter mérito algum nisso.

-porque Deus escolheu as coisas loucas, fracas, humildes e desprezadas, as coisas que não são, para reduzir a nada as que pensam que são.

-porque a fé cristã é cheia de antíteses, já que “...[somos]tidos como impostores e, na obstante verídicos; como desconhecidos e, não obstante, conhecidos; como moribundos e, não obstante, eis que vivemos; como punidos e, não obstante livres da morte; tristes e, não obstantes, sempre alegres; como indigentes e, não obstante, enriquecendo a muitos; como nada tendo embora tudo possuamos!” *

- porque “...somos atribulados por todos os lados, mas não esmagados; postos em extrema dificuldade, mas não vencidos pelos impasses; perseguidos, mas não abandonados; prostrados por terra, mas não aniquilados.” **

- porque “...somos amaldiçoados, e bendizemos; somos perseguidos, e suportamos; somos caluniados e consolamos. Até o presente somos considerados como lixo do mundo e escória do universo.” ***

Ao Deus único e sábio seja dada a glória!! Maranata!!!

* 2Co 6.8-10
** 2Co 4.8,9
*** 1Co 4.12,13

14 fevereiro 2006

O que penso sobre teologia

Algumas pessoas têm uma certa resistência ao estudo da teologia.
Elas têm uma certa dificuldade em ver uma aplicação prática na vida de um cristão do estudo da teologia, no seu aperfeiçoamento do entendimento das Escrituras. Como se a teologia fosse algo demasiadamente teórico e distante da prática cristã. Esquecem –se de que a “sua” teologia(a forma com vêem Deus e as
verdades sobre Ele) influencia sua adoração, evangelização e
outras práticas cristãs.

O que vou escrever aqui pode gerar controvérsias, mas vamos lá, vou tentar expor o que penso sobre teologia. Vale destacar que enxergo a teologia como um meio. Um meio de se ter um conhecimento correto sobre Deus e sobre as doutrinas das Escrituras e assim alcançar uma espiritualidade verdadeira, com motivações e fundamentos corretos.

Definição do termo

Defino teologia aqui não meramente no seu sentido etimológico, “estudo de Deus” ou “conhecimento de Deus”. Defino brevemente teologia como a reflexão interpretativa e sistematizada da Palavra de Deus(teologia bíblica e sistemática). O que diferencia de uma teologia natural ou meramente especulativa, racional.

A fonte para se fazer teologia deve ser as Escrituras. Toda e qualquer “teologia” está subordinada à Palavra de Deus, nunca tendo o caráter de infalibilidade igual ao das Escrituras.

A importância prática da teologia

A importância prática da teologia é muito bem explicada por J.I.Parcker, desfazendo o mito de que o estudo bíblico pessoal torna desnecessário o estudo da teologia.

“Da mesma forma que o fato de conhecer botânica faz com que se note melhor a flora e a fauna em um passeio ao campo, e o efeito de conhecer eletrônica nos faz enxergar além daquilo que estamos olhando, depois de desmontar o aparelho de TV, assim também o efeito de conhecer teologia faz entender melhor o significado e as implicações das passagens bíblicas.”

Mas se por outro lado temos uma teologia inconsistente,bíblica e historicamente, isso acarretará em uma espiritualidade doente e distanciada das verdades bíblicas. Um espiritualidade baseada unicamente em experiências pessoais e desvencilhada das verdades eternas, um misticismo e gnosticismo “cristãos”.

“Consequentemente não dar atenção à teologia não significa não ter idéias a respeito de Deus. Significa ter idéias erradas, más, confusas e superadas...Crer na religião popular é um retrocesso; é como pensar que a terra é redonda”
C.S.Lewis

A importância da prática da teologia

Um conhecimento teológico ou doutrinário correto não é suficiente por si mesmo. Tragicamente é possível não vivenciar a verdade de Deus em termos de obediência prática. Essa é a razão porque a doutrina(teologia) com freqüência é criticada.

“Se a doutrina[teologia] não levar a vidas santas, cheias de amor, amadurecidas, então algo está errado.”
Bruce Milne

Conclusão

Eu pessoalmente gosto muito de teologia. Mas confesso que a teologia muitas vezes tem sido um veneno para minha soberba, para o meu orgulho intelectual. O que deveria ser usado como um meio de se obter uma espiritualidade sadia, bíblica e verdadeira, pode se tornar um fim em si mesmo. E é aí que está o perigo. O meio se torna um fim. Ficamos enclausurados no meio de especulações racionais e inúteis, totalmente separadas do aspecto prático da vida cristã.

Não devemos ir nem para um extremo nem para o outro. Não podemos ignorar a importância da teologia e nem lhe dispensar uma importância maior do que realmente mereça.


“Cristo suportou a rendição e a humilhação perfeitas: perfeita, por ser Deus; rendição e humilhação por ser homem.”C.S.Lewis

10 fevereiro 2006

A Falsa Religião



“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.”1Jo3.16


Nós nos amamos demais para nos sacrificarmos pelo próximo, num sentido prático, para nos compadecermos com sua dor e sofrimento. Estamos preocupados com o nosso conforto pessoal e não vamos abrir mão disso em favor do próximo. A injustiça social não nos causa incômodo, nos faz “amoldar ao mundo”.

Vivemos numa idolatria que precisa ser denunciada. Como nos tempos do profeta Jeremias, adoramos a “outros deuses”. Os deuses mais comuns de nossa época(não são tão contemporâneos assim!) são entre outros: o deus “eu mesmo” e o deus “que se ‘exploda’ o meu próximo”. Adoramos a esses deuses no nosso dia-a-dia sem ao menos nos darmos conta disso. Praticamos uma falsa religião, a religião de satisfação dos meus desejos pessoais. Um religião que o único sacrifício que se faz é o sacrifício para se buscar o conforto e prazer pessoais ainda maiores. Estamos cheios de cuidados e agarrados a distrações cotidianas para percebermos o alerta inquietante contra essa falsa religião e essa adoração a “outros deuses”.

Nós preferimos ficar com a nossa “religião” individualista que visa satisfazer unicamente ao nosso ego, do que praticar a religião verdadeira, que visa ao próximo em suas necessidades, sejam elas materiais, emocionais ou espirituais.( “O evangelho todo, ao homem todo e a todos os homens”)

Sobre isso o irmão de Jesus diz:

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo”Tg1.27

Por isso, voltemos nossos corações ao Deus verdadeiro, à verdadeira religião. Que nos arrependamos de nossa idolatria, circuncidemos os nossos corações. Busquemos nos sacrificar pelo próximo quando assim for necessário, sem medir esforços para isso. E que o Deus Altíssimo, Todo – Poderoso tome conta de nossos corações e que a nossa alma goze da sua maravilhosa presença, ainda que os nossos corpos sofram.


“Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar.
Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.”1Co9.26,27


02 fevereiro 2006

O principio do fim


“...Ele ganhou dinheiro

Ele assinou contratos

E comprou um terno

Trocou o carro

E desaprendeu

A caminhar no céu

E foi o princípio do fim...”

Busca Vida(Hebert Viana)


O orgulho precede a ruína. O que temos em excesso(materialmente falando) nos corrompe. E esse é o principio do fim. Aquilo que pode ser chamado de “desgraça”, é o excesso de amor próprio. É o amor por si mesmo como o principio de todas as coisas. É a busca incessante e insaciável pelo que a vida tem de “bom”, dinheiro, contratos, ternos e carros. Se isso na vida é o que há de bom, então esse é o principio do fim...


“Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos.”

1Jo 3.16