29 março 2006

Qual é a essência do Cristianismo?


A Igreja Cristã hoje em dia tem vivido um “cristianismo de ênfases”. Esse “cristianismo de ênfases”, não é nada novo, tem sido comum ao longo da história. Cada individuo se apega a determinadas doutrinas e práticas e as coloca como mais centrais e cruciais de uma vida cristã autêntica. Daí surgem as divisões institucionais e denominacionais. Cada qual lê as Escrituras(isso quando lêem) segundo uma visão predeterminada do que seja mais importante. Não consegue-se analisar as Escrituras como um todo, sem enfatizar uma coisa em detrimento da outra. Cada um tem seus pressupostos. Há alguns ramos(sem querer esgotar o assunto), que não são necessariamente denominações, que gostaria de destacar:

1) “Os Escolásticos” – ênfase exagerada a uma conjunto de definições teológicas precisas, onde a vida cristã se resume a aceitar doutrinas corretas.

2) “Os Místicos” - ênfase na experiência interior, na busca do êxtase, do mistério, com esvaziamento doutrinário e esquecimento das Escrituras como fonte da revelação de Deus. A vida cristã se resume aos sentimentos e sensações, sendo a experiência pessoal critério para verdade.

3) “Os Pietistas” – consideram-se uma reação à ortodoxia “morta”, e enfatizam os aspectos “práticos” da vida cristã.

4) “McDonald´s eclesiásticos” – esse é o ramo mais visível e mais comum, inclusive aos anteriormente citados, que também podem se encaixar nessas características( é um ramo bem amplo).

Cada individuo se encaixa(congrega) na denominação que atenda aos “anseios de seu coração”, sendo as suas necessidades pessoais a medida de todas as coisas. A questão do serviço ao corpo e da edificação da comunidade têm sido esquecidas, e o que tem prevalecido é a busca por “bênçãos”. “Bênçãos” que têm uma conotação não-biblica.

Considera-se benção a satisfação das necessidades pessoais, e quase sempre essas se resumem a questões materiais. “Bênçãos” com critérios subjetivos e que afloraram o nosso egocentrismo pecaminoso. O desprendimento do conforto pessoal com vista às necessidades do próximo tem papel secundário na vida dos cristãos. O sacrifício pessoal por amor a Cristo é visto apenas como uma questão teórica, e válida somente em contextos de perseguições religiosas.

Então, qual é a essência do Cristianismo?

28 março 2006

Creio, logo existo!!( A relação entre fé e razão)



“A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus.” 1Co2.4,5




Racionalismo

Corrente filosófica que teve inicio no século 16 com René Descartes, fundador da filosofia moderna. Segundo essa corrente a razão humana é a medida de todas as coisas, a razão como critério e fundamento da verdade. Segundo os racionalistas o homem pode começar consigo mesmo e sua razão mais o que ele observa, sem nenhuma informação de nenhuma outra fonte, e chegar a respostas finais com relação à verdade, ética e realidade. Segundo eles não se pode crer racionalmente em nada que não pode ser compreendido. Alguns racionalistas de hoje consideram a fé cristã com ultrapassada, desnecessária e irracional. É crer no absurdo, impossível e improvável. Neste ponto alguns cristãos também concordam com os racionalistas, a fé cristã é algo irracional. Nisso eu discordo de ambos.

A necessidade da razão

A fé cristã é racional e não racionalista. A fé cristã tem como pressuposto a revelação de Deus(As Escrituras) e não a razão, entretanto, segundo C.Hodge:

“ A razão é necessariamente pressuposta a toda revelação. Revelação é a comunicação da verdade à mente. Mas a comunicação da verdade pressupõe a capacidade de recebê-la. Não se pode fazer revelações a brutos ou idiotas. As verdades, para serem recebidas como objetos de fé têm de ser intelectualmente apreendidas.”

A diferença entre conhecer e compreender

Uma criança sabe o que significa as palavras "Deus é espírito ". Nenhum ser criado pode compreender perfeitamente o Onipotente. Devemos conhecer o plano de salvação, mas ninguém pode compreender os seu mistérios... Os homens conhecem indescritivelmente mais do que entendem. Sabemos que Jesus Cristo é Deus e homem em duas naturezas distintas e uma só pessoa para sempre, sabemos mas não compreendemos. Sabemos que Deus é um só em três pessoas (trindade), mas não compreendemos. Sabemos que Deus é soberano e ao mesmo tempo o homem é responsável pelos seus atos. Sabemos mas não compreendemos. Não
compreendemos o infinito, o onipresente, o onisciente. Cremos porque conhecemos mesmo sem compreender. Cremos no imcompreensível, e não no impossível.

Não é necessário compreender para crer

A fé cristã é racional porque precisamos conhecer algo para crer. Quando recebemos uma verdade esta deve comunicar algum significado à nossa mente.

Porém, não é necessário ao exercício racional da fé que entendamos a verdade para nela crer. O assentimento à verdade se fundamenta na evidência. Essa evidência pode ser externa ou intríseca.

"A outra ideia de fé [isto é a fé racional]...é que lhe pediram para acreditar em algo e se curvar diante de algo, com base em razões boas e adequadas"F.Schaeffer

Cremos em algumas coisas com base no testemunho de nossos sentidos, cremos em outras com base nos testemunho dos homens. Por que, pois, não poderíamos crer com base no testemunho de Deus?

“Quem compreende a Trindade Onipotente? E quem não fala dela ainda que não compreenda? É rara a pessoa que ao falar da Trindade saiba o que diz.” Agostinho


Post baseado em Teologia Sistemática de C.Hodge

27 março 2006

Revelação especial


“Quão intermináveis e insatisfatórias tem sido as respostas à maior de todas as perguntas: o que é Deus?

Fichte diz que o Ego subjetivo é Deus.

Segundo Schelling, Deus é o movimento eterno do universo, o sujeito convertendo-se em objeto, o objeto convertendo-se em sujeito, o infinito convertendo em finito e o finito convertendo-se em infinito.

Hegel diz: ‘O pensamento é Deus’

Carlyle faz da energia um Deus.

Um criança cristã diz: ‘Deus é um Espírito, infinito, eterno e imutável em seu ser, sabedoria, poder, santidade, justiça, bondade e verdade’. Homens e anjos velam suas faces na presença de tal resposta. É a mais sublime, a mais incomensurável e a mais frutífera verdade já incorporada à linguagem humana.

Sem a bíblia estamos sem Deus e sem esperança. O presente é um fardo e o futuro, um horror!
C.Hodge

10 março 2006

"Que farei eu para alcançar a vida eterna...?"


"Assim pois não depende de quem quer ou de quem corre mas de usar Deus a sua misericórdia."Rm 9.16

Pode o homem colaborar com a sua salvação? Segundo a doutrina semi-pelagiana o homem pode.

A doutrina semi-pelagiana tratada no Concilio de Orange( 529 d.c.) foi condenada como heresia. Apesar disso, aparece no seio da Igreja séculos mais tarde agora com uma nova roupagem, conhecida como Arminianismo. Mas mais um vez essa doutrina é condenada pelos principais teólogos da época, no Sínodo de Dort(1618/19). Embora historicamente tenha sido condenada duas vezes, essa doutrina ainda persiste no meio cristão(evangélicos e católicos).


É realmente difícil compreender que o homem não tenha nenhuma participação em sua salvação. É difícil aceitar que não somos capazes de colaborar com Deus em seus atos salvificos. É difícil aceitar que a graça de Deus é irresistível. Que não posso resistir à sua graça regeneradora.


É difícil aceitar que a corrupção do homem é de tal forma que este se encontra morto, e que um morto não pode crer sem a intervenção graciosa de Deus(Jo 6.44,65). É difícil de entender que a fé em Cristo é o meio e não a causa da salvação(Ef 2.8). É difícil crer que Deus me escolheu e não eu a Deus(Jo 15.16). É difícil de crer, mas cremos, pela confiança que temos na Palavra de Deus, assim como fizeram Agostinho, Lutero e Calvino entre outros tantos.


È confrontador ao orgulho humano, mas também confortador. Saber que a minha salvação não depende de mim, é totalmente de graça.


Alguns têm um entendimento limitado do que é graça. Entendem a graça salvifica simplesmente como a possibilidade de salvação. E não como uma salvação eficaz, ou seja, a morte de Cristo cumpre o propósito para a qual foi definida: salvar pecadores, e isso independe das ações humanas. Porque fiel é esta palavra e digna de aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores...1Tm1.15.


A cruz não veio trazer uma salvação hipotética. Não veio trazer a possibilidade. A morte de Cristo veio trazer salvação e certamente a trará. Ninguém que tenha sido justificado pela sua morte e que tenha os seus pecados carregados sobre a cruz perecerá no inferno.


“E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” Jo 6.39

06 março 2006

Cur Deus Homo?( Por que Deus se tornou homem?)


A justiça de Deus

“porque o salário do pecado é a morte”Rm 6.3

“a alma que pecar, essa morrerá” Ez 18. 4b

Quando Deus fez aliança com o homem, decretou que a punição para o pecado seria a morte ( Gn 2.17). Assim, o homem desobedeceu e se tornou culpado. Está debaixo da sentença de Deus. Deus não pode abrir mão de sua justiça, não pode mudar o preço de sua sentença – condenado está o homem.

A justiça de Deus demanda satisfação de sua ira. Deus não poderia , em função da retidão do seu caráter e de sua santidade, e em função da imutabilidade de sua palavra e de seus decretos simplesmente perdoar o homem, sem preço pelo perdão. O preço é a morte – condenado está o homem.

Diz repetidamente a Bíblia que de modo algum ele absorverá o culpado( Ex 34.7; Nm 14.18; Na 1.3). Ele odeia o pecado com ódio divino; todo o Seu Ser reage contra ele( Sl 5.4-6; Na 1.2; Rm 1.18) – condenado está o homem.

O "dilema"

Deus queria salvar o pecador, mas precisava cumprir as exigências da lei. Como conciliar justiça e amor ao mesmo tempo? O homem deve morrer para satisfazer a justiça divina e cumprir as exigências da lei, mas Deus deseja salva-lo para satisfação de seu projeto de amor e de auto-realização em sua obra de criação. Que dilema: condenar ou salvar, aplicar sentença de morte ou dar vida?

A necessidade de expiação(remoção de pecados)

A obra de expiação foi a solução de Deus para o "dilema". A expiação se funda na justiça e no amor de Deus. A sentença foi aplicada em Jesus. A morte de Jesus foi substitutiva(vicária). O homem não foi simplesmente “absolvido”, mas alguém teve que pagar o preço. A justiça de Deus foi cumprida assim como o seu amor manifesto. A pena foi executada e Jesus pagou o preço. A ira de Deus foi satisfeita. Fomos absolvidos porque um Justo foi condenado. Esse foi o sacrifício perfeito. Pela sua morte fomos reconciliados. Pelas suas pisaduras fomos sarados.

Ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele...

Ao Cordeiro de Deus seja a glória para sempre!!!

03 março 2006

Um só mediador


E, com fim de que nela[na fé] caminhasse com maior confiança ate à verdade,
a própria verdade, Deus, o filho de Deus, assumindo-o homem, não consumindo a Deus estabeleceu e fundou a fé, para que o homem tivesse no Homem-Deus caminho até o Deus do homem. Este o mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus. É mediador, na qualidade de homem, e por essa mesma razão é também caminho. Porque, se entre quem caminha e o lugar a que se dirige existe caminho, há esperança de chegar. Se, porém, falta ou se ignora por que caminho se há de ir, que aproveita conhecer o ponto de chegada da viagem? Só existe um caminho muito guarnecido contra todos os erros, que seja alguém ao mesmo tempo Deus e homem : a meta , Deus; o caminho, homem

Agostinho