05 maio 2006

A Teologia moderna


A influência da filosofia moderna

Uma característica muito comum da teologia nos séculos 19 e 20 é o abandono da história como característica da teologia e fé cristã, teólogos influenciados por bases racionalistas e existencialistas. Estes se submeteram às idéias do Iluminismo bem como se renderam à critica kantiana à religião.

Esses teólogos modernos investigaram a Palavra de Deus à luz de pressupostos filosóficos e construíram a sua teologia na base deles, existencialismo e fenomenologia, assim como pressupostos neoplatônicos e kantianos.

Segundo B.Mondin:

“[...] a utilização das novas filosofias e a pretensão de submeter a mensagem cristã a revisões radicais por meio das técnicas de desmitologização(Bultmann) e de secularização(Bonhoeffer) levaram ao suicídio e à liquidação da teologia[...]”.

Dessa forma também foram influenciados pela filosofia, Agostinho(Neoplatonismo) e Tomás de Aquino( Aristotelismo ). Mas a diferença entre os teólogos modernos e eles é que estes claramente reconheceram a primazia e a autoridade das Escrituras. Ambos se separaram de suas filosofias quando viam que elas conflitavam com as Escrituras. È à luz da Palavra de Deus que devemos julgar as nossas idéias pré-concebidas e não o contrário.

A bíblia como mito

Estes teólogos modernos nos remetem a uma noção de que a revelação divina nunca nos seja comunicada objetivamente, nem mediante fatos históricos nem através de proposições inteligíveis, mas nos seja apreendido de forma subjetiva, à base de uma resposta de submissão a Deus.

Segundo eles não é importante que aceitemos as narrativas como verdadeiramente históricas( a criação , queda e ressurreição), mas somente em termos de verdades teológicas que nos visam transmitir.

Segundo F.F.Bruce:

“[Esse] argumento só se poderá aplicar ao Cristianismo, se lhe ignorarmos absolutamente a essência. O evangelho não é primariamente um código de ética ou um sistema de metafísica, é acima de tudo mais Boas novas e como tal foi proclamados pelos núncios primitivos...E esta afirmação como Boas novas está estreitamente ligada à ordem histórica, pois que nos fala ela de como Deus penetrou na história. O Eterno invadiu o tempo, o Reino dos céus se impôs à ordem terrestre nos grandes eventos da encarnação, crucificação e ressurreição de Jesus Cristo afim de promover a redenção da humanidade” .

Estes, denominados neo-ortodoxos( há quem os chame liberais), que se consideram verdadeiros herdeiros da reforma e detentores do pensamento genuíno dos reformadores, acabam por negar a historicidade do cristianismo conferida pelas confissões de fé ao longo da história da igreja.

Segundo o credo apostólico:

“Jesus Cristo seu Filho unigênito, nosso Senhor...padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos

E na opinião de C.S.Lewis:

O cânon que estipula, “se é miraculoso, não é histórico”, é uma regra que os críticos impõem aos seus estudos dos textos sagrados, e não um princípio que deduziram desses textos. E já que estamos falando em autoridade, a autoridade conjunta de todos os críticos bíblicos do mundo é aqui considerada como zero. Quanto a isso, os críticos falam apenas como homens; homens obviamente influenciados pelo espírito da época em que cresceram, espírito esse talvez insuficientemente crítico quanto às suas próprias conclusões”.

Conclusão

Devo ressaltar que:

“Não quero com isso dizer que a teologia deva voltar à asseveração simplista de que a evidência da revelação de Deus na história é tão esmagadora que só uma pessoa cega ou perversamente irracional não a reconhece. Dessa forma a fé reduzir-se-ia a um reconhecimento frio dos fatos. A história não é a revelação e nem a revelação é a história.[...]Se existissem fatos indubitáveis, com apenas um interpretação possível, a fé não seria necessária. E não haveria um compromisso com a pessoa(Jesus Cristo) que demanda a auto-entrega, a confiança e o crédito – enfim, a fé, com a plena evidência disponível no futuro. Por outro lado, se não existisse fato algum, a mensagem seria uma ‘interpretação’ arbitrária e ridícula de coisas que nunca aconteceram. Contudo, este, ‘decisionismo’ é o que encontramos em vários teólogos modernos.[...] para evitar esse desfecho, devemos insistir no elemento histórico da mensagem cristã. A historia é a base necessária, embora não suficiente, da fé.” Klaus Bockmuehl


1 Comments:

At 4:32 PM, Anonymous FabioGN said...

Ótima meditação Lele!
Gostei pra caramba!

 

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