01 agosto 2006

Fides quaerens intelletectum





Vamos primeiramente à definição de termos

Espiritualidade

O termo é normalmente utilizado para designar os aspectos relativos às práticas devocionais da vida cristã, sobretudo seus aspectos individuais. Em outras palavras, refere-se ao “relacionamento de Deus com o ser humano”.

Teologia

Defino teologia de forma estrita e simplificada, como o estudo e o conhecimento de Deus conforme revelado nas Escrituras.

Teologia X Espiritualidade

Hoje em dia, assim como, em outras épocas da história da igreja, tem havido um relação de oposição entre as duas. As pessoas não concebem uma “teologia espiritual”, ou uma “espiritualidade teológica”. Sempre se enfatiza uma em detrimento da outra, fazendo-se assim uma dicotomia. Uma dicotomia que na realidade não existe. Isso, porque não existe teologia sem espiritualidade(sem vida cristã)bem como não existe uma espiritualidade à parte da natureza teológica da fé cristã.

Uma teologia sem compromisso(sem vida cristã) não passa de uma monte de arrazoados metafísicos sem sentido, onde não há coerência entre o que se diz e o que se faz, ou em outras palavras, uma incoerência entre a teoria e a prática. Como diz McGrath:

“Estudar teologia a partir de uma perspectiva imparcial , significa perder de vista o fato de que o cristianismo diz respeito à proclamação, à oração e à adoração. São esssa as atividades que dão origem à teologia – e se um teólogo não proclama sua fé, não ora a Deus e não adora o Cristo ressuscitado, não é possível realmente que tenha entendido do que se trata a teologia.”



Uma espiritualidade sem teologia também é manca. Manca por se apresentar desprovida de seu alicerce histórico e um sólido fundamento bíblico. Como diz C.S. Lewis:

“[...] Não dar atenção à teologia não significa não ter idéias a respeito de Deus. Significa ter muitas idéias erradas, más, confusas, superadas.[...] Crer na religião popular moderna é um retrocesso; é como pensar que a terra é plana.”

Merton, com muita propriedade, nos fala que a separação artificial de ambas apenas contribui para seu empobrecimento mútuo:

“A contemplação, longe de se opor à teologia, representa na verdade, o resultado natural de seu processo de aperfeiçoamento. Não devemos separar o estudo da verdade revelada por Deus da experiência contemplativa dessa verdade, como se fossem dois fatos completamente distintos. Ao contrário, ambos representam os dois lados da mesma moeda.[...] A teologia e a espiritualidade, não devem ser postas em duas categorias mutuamente excludentes, como se a espiritualidade fosse apenas para mulheres piedosas e o estudo teológico voltado somente para homens práticos, porém, lamentavelmente, carnais.”


E prossegue adiante dizendo que:

“Essa separação enganosa talvez seja a explicação muito do que, na verdade, está faltando tanto à teologia quanto à espiritualidade. Ambas pertencem, contudo, uma à outra. A menos que estejam unidas, não há fervor, nem vida, nem valor espiritual na teologia; assim como não há conteúdo, nem sentido, nem propósito seguro na vida contemplativa.” (apud MCGRATH)