09 outubro 2006

Castelo de cartas


A nenhum cristão é feita a promessa de que não irá sofrer. A ninguém é prometido escapar das mazelas da vida como roubos, acidentes, doenças e toda sorte de calamidades. Muito pelo contrário somos alertados de que passaríamos por isso (Jo 16.33). Os sofrimentos são considerados como uma espécie de graça (Fp 1.29) e felicidade (Mt 5.4).

Em alguns casos há até promessas de sofrimentos e nos é exigida a autonegação. Na maior parte das vezes, em nossa caminhada cristã, essas verdades são facilmente aceitas e estufamos o peito ao afirmá-las.

Mas as coisas são diferentes quando acontecem conosco. Quando roubos, acidentes, doenças e toda sorte de calamidades nos sucedem, e não com os outros, quando acontecem na realidade, e não na imaginação. Toda aquela aceitação, convicção e entusiasmo se desmoronam como um castelo de cartas. A “dádiva da dor” ou “o servo sofredor” já não são tão atraentes quanto nos livros ou no testemunho de outrem.

E por que o entusiasmo em aceitar tais verdades já não é mais o mesmo? Deveria haver tanta diferença assim?

“Jogadores de brigde dizem-me que deve haver um pouco de dinheiro no jogo ‘ou então, as pessoas não vão leva-lo a sério’. Aparentemente é assim. Sua aposta no jogo – Deus ou nenhum Deus, um bom Deus ou o Sádico Cósmico, a vida eterna ou a não entidade – não será séria se nela nada de valor estiver em risco. E você nunca perceberá como era séria, enquanto as apostas não estiverem muitíssimo altas, enquanto você descobrir que está jogando não pelas fichas, nem pelos seis centavos, mas por todo centavo que tem no mundo. Nada menos do que isso abalará um homem – ou pelo menos um homem como eu – quanto ao seu pensamento puramente verbal e suas crenças meramente nocionais. Ele deve ficar fora do ar antes que recobre os sentidos. Só a tortura trará à luz a verdade. Só sob a tortura ele mesmo descobrirá.”C.S.Lewis

Sempre tivemos uma idéia acerca de Deus. A diferença é que em algumas ocasiões descobrimos que Deus não é exatamente aquilo que imaginávamos. E tememos por isso. C.S.Lewis diz:

“Não que eu esteja (suponho) correndo o risco de deixar de acreditar em Deus. O perigo é o de vir a acreditar em coisas tão horríveis sobre Ele. A conclusão que tenho horror de chegar não é ‘então apesar de tudo, não existe Deus nenhum, mas ‘então, é assim que Deus é realmente. Não se iluda”.

3 Comments:

At 8:33 AM, Anonymous FábioGN said...

Sim, sim. E diante do sofrimento e consecutiva queda do castelo de cartas, assim como diante do impactante e dolorido descobrimento de que Deus não se comprometeu em saciar os desejos humanos e seus sonhos carnais, é impressionante constatar que milhares de cirstão viveram o mesmo ao longo das eras.

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"certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão-se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo." 1 Pedro 5:9

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"35 Mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos. Alguns foram torturados, não aceitando seu resgate, para obterem superior ressurreição;
36 outros, por sua vez, passaram pela prova de escárnios e açoites, sim, até de algemas e prisões.
37 Foram apedrejados, provados, serrados pelo meio, mortos a fio de espada; andaram peregrinos, vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos, maltratados
38 (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, pelos montes, pelas covas, pelos antros da terra.
39 Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa,
40 por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.
1 ¶ Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está proposta,
2 olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus.
3 Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossa alma." Hebreus 11:35-40 12:1-3

 
At 10:53 PM, Blogger Renato Luiz said...


Louvo a Deus por te ter como amigo!
Um grande abraço...

 
At 11:08 AM, Anonymous Ana Luísa said...

Muito bom o texto!! ;o)
Me fez refletir bastante...
Lutar contra o medo de estarmos errados acerca do que pensamos de Deus só é possível se de verdade O acolhemos em todas as situações, e especialmente as de sofrimento; pois aí nos descobrimos frágeis e tendenciosos. Que o arricar-se a viver os sofrimentos buscando Deus nos ajude a ver que Ele é na verdade bem melhor, fiel e compassivo do que pensávamos antes...
Abraços para vc, Lelê!!!

"e vós, quem dizeis que eu sou?" Mt16,16
"Aquele que pode infinitamente mais do que pedimos ou entendemos" Ef3,20

 

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